Acordei naquele dia, algo perturbada com o que acontecera no sonho. Liguei ao Fredrick para não contar comigo no estúdio, que cancelasse todos os meus compromissos. Ele perguntou-me se me sentia bem. Eu disse que estava bem, mas precisava deste dia para tratar de algo de importante.
Tomei o pequeno-almoço na cozinha, em pé a olhar a janela, encostada ao balcão.
Depois foi até ao escritório e escrevi .
Aborreci-me.
Pensei em sair um pouco.
Peguei no carro e fui dar uma volta.
Passei por várias localidades mas tinha de ter cuidado a onde ia e onde era vista.
Fui para a praia.
Pela primeira vez em anos tirei os sapatos, senti a areia debaixo dos meus pés e passeei pelas ondas devagar. Senti o vento a varrer os meus cabelos.
Cheirava tanto a mar.
Era o cheiro da liberdade, o cheiro mais mágico de todos.
A praia estava deserta, o sol ainda ia alto quando limpei os pés e entrei no carro.
Fui procurar um sítio onde almoçar.
Entrei num hotel, sentei-me no restaurante, logo vieram ver o que eu queria, pedi um prato de massa italiana e um bom vinho tinto.
Almocei sozinha e calmamente.
Pensei no sonho que tinha tido enquanto tinha o copo de vinho tinto na mão.
Aquela rapariga...
Seria ela real?
E foi isso que fui tentar descobrir naquela tarde.
Ainda assim encontrei admiradores pelo caminho que tudo o que quiseram foi um autografo.
Dei-lhos de boa vontade.
Agradeceram-me mil vezes. E eu agradeci-lhes outras mil vezes.
Estava grata por aquele amor incondicional que eles me tinham. Gosto do amor deles, não o ignoro e tão pouco o desprezo.
Os melhores momentos que passei na minha vida, foi em frente ao meu público, tenho de admitir.
Eles fizeram muito por mim. Mostraram-me que ainda havia esperança, que ainda tinha utilidade.
Fui para casa. Esqueci-me completamente de tentar descobrir quem era a rapariga.
Jantei a sós e fui para a cama ler um livro.
Adormeci com o livro em cima do peito ainda aberto num página que falava sobre Amizade. Talvez essa página me viesse a ser útil.
Sem comentários:
Enviar um comentário